Maconha é motivo de orgulho nas montanhas do Colorado

Em Nederland, usos medicinal e recreativo da substância se misturam. Para defensores, ‘padrão’ vem do melhor conhecimento da marijuana.

Avitista em comício pró-maconha em Denver, no Colorado, em 6 de novembro. (Foto: The New York Times)

Avitista em comício pró-maconha em Denver, no Colorado, em 6 de novembro. (Foto: The New York Times)

Milhões de americanos expressaram sua opinião sobre maconha nas recentes eleições de meio de mandato. No Colorado, 24 comunidades votaram para banir ou restringir lojas que vendem maconha legalmente, para uso médico. Na Califórnia, os eleitores se dividiram na questão da legalização da erva para uso recreativo – envolvendo itens como saúde, criminalidade e impostos – e votaram contra.

Mas aqui em Nederland foi apenas mais um belo dia nas montanhas.

A maconha tem estado em voga neste posto avançado da contracultura, a 2.438 metros de altura nas Montanhas Rochosas e uma hora a noroeste de Denver, desde os dias dos “bagulhos” do tamanho de um cigarro de Bob Marley e das piadas de Cheech e Chong.

A julgar pelos números, as coisas não mudaram tanto.

Uma aumento expressivo nas vendas de maconha para uso medicinal no último ano aqui no Colorado, assim como no Distrito de Columbia e outros 13 estados onde esse uso é permitido, certamente trouxe um novo elemento para a mistura. Lojas como a Grateful Meds, um dos sete fornecedores de maconha para uso medicinal em Nederland, cuja população é de 1.400 habitantes, agora possuem advogados para o cumprimento da lei e recibos de recolhimento de impostos sobre vendas na gaveta de dinheiro.

Mas maconha ainda é maconha, e a posição de Nederland sobre o que John Denver imortalizou como “a viagem das Montanhas Rochosas do Colorado” não mudou.

Registros estaduais mostram que a concentração de pacientes que utilizam maconha para fins medicinais e lojas que vendem cannabis para esse fim é maior nesta antiga área hippie do Colorado do que em qualquer outro local do estado.

Susan Eisman, da loja de maconha medicinal Grateful Meds, em Nederland, Colorado, em 28 de outubro. (Foto: The New York Times)

Susan Eisman, da loja de maconha medicinal Grateful Meds, em Nederland, Colorado, em 28 de outubro. (Foto: The New York Times)

Em Gilpin County, por exemplo, que começa na entrada de Nederland, quase um em cada 20 moradores se qualifica para o tratamento com cannabis – o nível mais alto no Colorado, e mais de três vezes a média do estado. A lei estadual, aprovada por um referendo de eleitores em 2000, permite o tratamento com maconha para uma lista de enfermidades, de câncer a dor crônica, se um médico verifica a necessidade.

E os médicos vêm fazendo um favor. O padrão “doente o suficiente para fumar maconha” se estende pelo oeste de Nederland, através de um arquipélago de comunidades que foram igualmente tingidas de tie-dye uma geração atrás e agora são a base para a indústria de turismo e resorts do estado.

Os condados de Summit e Pitkin, lar de cidades conhecidas pela prática de esqui, como Breckenridge, Keystone e Aspen, se orgulham de uma cultura saudável de atividades a céu aberto, mas também possuem uma quantidade desproporcional de casos de dor debilitante diagnosticada em jovens rapazes na casa dos 20 e poucos anos, como mostram registros do estado.

“Quem imaginaria dores tão severas afligindo os homens do Colorado?”, disse Ron Hyman, registrador do estado de estatísticas e diretor do programa de maconha para uso medicinal do Departamento de Saúde Pública e Ambiente do Colorado.

Moradores de Nederland, como Hal Mobley, 56 anos, que estava a caminho da barbearia, perguntou mais ou menos a mesma coisa. A maconha faz parte da vida local, ele disse – não está mais disponível, nem menos, o uso continua o mesmo de décadas atrás.

“É para dor?”, ele disse, protegendo os olhos por causa do sol.

Algumas das variedades de maconha disponíveis na Grateful Meds. (Foto: The New York Times)

Algumas das variedades de maconha disponíveis na Grateful Meds. (Foto: The New York Times)

Bem, a maconha também é um bom remédio para o orçamento municipal de Nederland. A arrecadação de impostos está em alta – em parte devido aos turistas que gastam dinheiro em restaurantes e lojas, mas muito mais em decorrência das vendas de maconha.

Somente em junho, enquanto muitas comunidades nos Estados Unidos ainda sofriam com a estagnação econômica, os impostos sobre vendas coletados em Nederland subiram 54% em relação a junho de 2009. Sem o imposto coletado sobre a maconha, o aumento seria de 22%.

“Já estava aqui, provavelmente uma capacidade ilegal, há muito tempo, mas agora há uma oportunidade para a indústria”, disse o prefeito de Nederland, Sumaya Abu-Haidar. “Há uma oportunidade de livre iniciativa, para as pessoas ganharem a vida de uma forma que não estava disponível antes”.

Philip Dyer, 45 anos, músico local, colocou de outra forma. O governo, ele disse, “finalmente ficou esperto o suficiente para regular e cobrar o preço”.

Defensores da maconha para uso medicinal dizem que o padrão – uso medicinal mais predominante em lugares de uso historicamente recreativo – é simplesmente um reflexo do melhor conhecimento sobre a droga e suas propriedades. Pessoas de comunidades onde a maconha é aceita, eles dizem, sabem mais sobre seus benefícios medicinais do que a população de outras partes do estado, onde os pacientes de maconha são raros.

Mesmo assim, os moradores dizem que as coisas estão mudando.

De acordo com autoridades municipais, uma mudança demográfica nos últimos anos, com mais famílias, profissionais, trabalhadores da área de tecnologia e pessoas que trabalham em casa, criou tensões sobre questões de crescimento, desenvolvimento, turismo – e maconha, com muitos dos recém-chegados menos entusiasmados do que a velha guarda em relação à reputação de “maconheira” de Nederland.

No início deste ano, Nederland se tornou a terceira comunidade no Colorado a descriminalizar o uso recreativo da maconha. Porém, o voto, em grande parte simbólico, já que o uso recreativo ainda é ilegal de acordo com leis estaduais e federais, dividiu profundamente a comunidade. A legalização foi aprovada, mas por apenas 41% dos 477 votos computados. Uma proposta para realizar um festival de cannabis na cidade enfrentou grande oposição e foi recusado.

Entretanto, a cidade ainda tem reputação de ter boa maconha, um orgulho sobre o qual a advogada da Grateful Meds, Susan Eisman, fica feliz em falar, durante uma visita à loja. Enquanto muitas lojas têm talvez cinco variedades de maconha à disposição, a Grateful Meds possui 30, e atende a cerca de 300 pacientes.

“Temos pacientes que vêm de todo o estado do Colorado”, disse Eisman. “E o principal motivo é a qualidade, quantidade, seleção e reputação. Outro dia um paciente veio de Longmont, a uma hora daqui, porque gostava de um tipo particular de maconha e não consegue obtê-lo em nenhum outro lugar.”

Fonte: Gazeta Web – Alagoas

 

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