Médico defende uso terapêutico da maconha

Elisaldo Carlini, médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Elisaldo Carlini, médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Os participantes de um simpósio internacional realizado ontem em São Paulo pedirão ao Ministério da Saúde que solicite à Organização das Nações Unidas a criação de uma agência nacional que regule a plantação de cannabis, a popular maconha, para fins medicinais no Brasil. Hoje, em países como Holan­da e In­­glaterra, milhares de pacientes com doenças terminais utilizam a maconha co­­mo analgésico. O médico Eli­saldo Car­lini, professor da Uni­versidade Federal de São Paulo (Unifesp), falou, por telefone, com a Gazeta do Povo sobre o uso medicinal da maconha, do qual é um dos maiores defensores no Brasil.

Como funcionaria o uso medicinal da cannabis?

A maconha e seus derivados estão se tornando cada vez mais medicamentos úteis. Por outro lado, a substância é proibida por uma convenção da ONU. Quando um país deseja plantar a droga para fins de pesquisa, deve pedir uma autorização. É aí que se cria uma agência reguladora, que vai fiscalizar a plantação e distribuição da planta. O local escolhido para o plantio precisa ser conhecido e controlado, com profissionais capacitados responsáveis pela colheita, controle de qualidade, quantidade do prin­­cípio ativo, o THC (Tetrai­dro­ca­­nabinol). O material é embalado e enviado para uma farmácia, onde só pode ser vendido com receita médica. A forma de uso varia conforme o país. Na Holanda, o paciente faz um cigarro; os ingleses transformam a planta em um spray bucal, como remédio para asma ou bronquite. No Canadá, existe um canabinoide sintético em comprimidos.

Quais as perspectivas para o Brasil?

Minha perspectiva é que tenhamos uma agência em no máximo dois anos. Não há motivo para levar mais tempo. Mas infelizmente há muita burocracia e temos a troca de governo em 2010. Não há dados concretos, mas sabe-se que muitos pacientes utilizam a substância de forma clandestina. Recebo inúmeros e-mails de pessoas querendo informações sobre como conseguir a droga.

Em quais casos o uso da maconha é indicado?

Pesquisas mostram que há no cérebro humano um sistema chamado canabinoide, composto por receptores que recebem o princípio ativo da maconha. Produ­­zimos uma substância análoga, a anandamida. A droga passou a ser amplamente estudada após estas descobertas, porque é quase como se nosso cérebro fosse “preparado” para a cannabis. Há indícios de que este sistema esteja associado à normalidade psíquica ou à depressão, dependendo da quantidade. A maconha é indicada em três situações principais: combater náuseas e vômitos induzidos pelos remédios da quimioterapia, aumentar o apetite de pacientes com aids e câncer terminal, e para pessoas com dores fortes e nevralgia nervosa. Pacientes com esclerose múltipla, por exemplo, têm boas respostas.

Então, por que a droga segue proibida?

A ideia de negatividade associada à droga fez com que o mundo deixasse de pensar na substância como algo útil. Muitas pessoas dizem que isso é uma desculpa para “liberar geral”, o que não é verdade. Queremos diminuir o sofrimento humano, oferecendo mais uma alternativa.

Fonte:  Gazeta do Povo

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2 respostas para Médico defende uso terapêutico da maconha

  1. Alexandre disse:

    Finalmente Vamos discutir o porque da legalização e em que condições.

    Partido Livre (Continuará na busta do percentual de assinaturas para legalização da planta medicinal)

  2. Maconha legal para consumo, agentes do FBI e DEA (Polícia Federal EUA) defendem sua descriminalização.
    São a favor da descriminalização também da maconha, agentes do FBI, DEA (polícia federal norte-americana especializada no combate ao tráfico de drogas internacional), juízes, promotores, policiais e agentes penitenciários dos EUA. Mais de 10.000 homens e mulheres, maioria autoridades (da Lei e especialistas no combate ao tráfico) dos Estados Unidos da América do Norte, se uniram em prol também da descriminalização da maconha em uma organização educativa chamada LEAP (Em português – AGENTES DA LEI CONTRA A PROIBIÇÃO (TAMBÉM DA MACONHA)).
    Porque com suas experiências no combate ao tráfico chegaram a conclusão de que a guerra contra o tráfico é um fracasso, como, mais do que isso, um desastre político. Afirmam inclusive que sabem (e sabem mais do que a maioria, porque investigam e estudam cientificamente a questão, há muito tempo) que pôr fim à proibição das drogas reduzirá mortes, doenças, crimes e dependência. Quatro tipos de danos infinitamente agravados por essa guerra.
    Àqueles que não aderiram ao movimento de alguma outra entidade por falta de afinidade. Ingressem na luta da LEAP e ou de outras mais destas entidades sem fins lucrativos e apartidárias.
    O importante é o nosso engajamento a favor das causas sociais, auxiliando neste caso, também famílias brasileiras que sofrem com os males vindos da proibição do consumo da maconha.
    José Fonte de Santa Ana
    Clique em outros dos tantos post´s sobre o tema neste Blog
    Venda de maconha, legal, bate recorde.
    Maconha como está não é legal. Têm que legalizar!
    Maconha faz bem e o bem, também (III). Quebra dentes vitais…
    Maconha faz bem e o bem, também (II). Abriu perspectia para o tratamento da obesidade.
    Maconha faz bem e o bem, também. Mitos sobre a maconha.
    * conheça o site da LEAP clicando aqui

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