Maconha reduz espasmos da esclerose múltipla, diz estudo

De acordo com o estudo, a maconha reduz as dores nos pacientes de esclerose múltipla

De acordo com o estudo, a maconha reduz as dores nos pacientes de esclerose múltipla.       Foto: Leo Cabral

Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) na revista da Associação Médica do Canadá (“CMAJ”) mostrou que o uso de maconha alivia a espasticidade e a dor nas pessoas que sofrem de esclerose múltipla, mas alertou que existem “efeitos cognitivos adversos”. O estudo, realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, analisou 30 pacientes com uma idade média de 50 anos dos quais mais da metade necessitavam de ajuda para caminhar e 20% utilizavam cadeiras de rodas.

A doutora Jody Corey-Bloom, do Departamento de Neurociência da Universidade de San Diego, assinalou no estudo que “observamos um efeito benéfico da cannabis fumada na espasticidade resistente ao tratamento e na dor associada com a esclerose múltipla entre nossos participantes”. “Embora geralmente bem tolerada por nossos pacientes, a maconha fumada esteve acompanhada por agudos efeitos cognitivos”, acrescentou a médica.

Os pesquisadores indicaram que são necessários mais estudos de longo prazo para confirmar as descobertas “e determinar se doses menores podem ter efeitos benéficos com um impacto cognitivo menor”. Porém, o estudo também apontou que em outras pesquisas centradas nos efeitos da cannabis administrada oralmente na espasticidade relacionada com a esclerose múltipla, “qualquer redução da espasticidade foi geralmente observada em classificações subjetivas”. No entanto, neste estudo, os pesquisadores disseram que utilizaram um método “objetivo”. Os médicos usaram uma escala Ashworth modificada, ferramenta que serve para avaliar a intensidade do tônus muscular, para determinar a espasticidade dos músculos.

Os resultados indicam que o grupo de pacientes que fumou maconha experimentou uma redução na escala Ashworth de quase um terço (2,74 pontos) em comparação com o grupo que utilizou um placebo. Além disso, as pontuações de dor foram reduzidas em torno de 50%.

Fonte: Terra/Saúde

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Vilarejo espanhol libera plantio de maconha para levantar verbas

Prefeitura, que tem dívida de 1,3 milhão de euros, afirma estar dentro da lei.

Cédula utilizada na votação pergunta, em catalão, se a população está de acordo com o plano aprovado em 29 de fevereiro, que prevê a autorização do plantio AGÊNCIA O GLOBO

Cédula utilizada na votação pergunta, em catalão, se a população está de acordo com o plano aprovado em 29 de fevereiro, que prevê a autorização do plantio
AGÊNCIA O GLOBO

RASQUERA, Espanha. Com uma dívida de 1,3 milhão de euros (R$ 3,1 milhões) e dificuldade de gerar empregos para seus 960 habitantes, o vilarejo de Rasquera, na Espanha, decidiu recorrer à maconha para sobreviver. Nesta terça-feira, aprovou em referendo popular uma iniciativa da prefeitura para que o município ceda terrenos para o plantio da droga e, com isso, lucre o suficiente para pagar seus débitos.

Rasquera, a cerca de 200 km de Barcelona, é um dos municípios mais mais endividados da Catalunha. Sua luta para se reerguer é o retrato do que acontece em cidades por toda a Espanha, onde o índice de desemprego está em 23%, o maior dos 17 países da zona do euro. A saída encontrada — a única viável, segundo a prefeitura — dividiu a cidade, e a votação foi a opção para resolver o impasse.

— Se o projeto não recebesse o apoio do povo, não teria sentido algum continuar — disse o prefeito Bernat Pellisa, que prometera renunciar caso o projeto não tivesse o sim de mais de 75%, mas ainda não anunciou sua decisão final.

Era necessário o aval de mais da metade da população, e 56% disseram sim. O projeto prevê a aplicação de um acordo já assinado entre a Prefeitura e a Associação Canábica de Autoconsumo de Barcelona, um grupo de 5 mil usuários que pagaria 1,3 milhão ao município para usar os sete hectares de plantação nos próximos dois anos.

A polêmica deve ir além do referendo. Na Espanha, o consumo privado de maconha em pequenas quantidades é tolerado, mas o plantio para venda é considerado ilegal. A agência nacional antidrogas já anunciou que intervirá assim que a primeira semente for plantada.

A prefeitura de Rasquera garante estar dentro da lei e usa uma brecha legal para se justificar: a cidade estaria apenas cedendo terrenos, e a droga plantada, afirma, não seria vendida, e sim usada para consumo privado — no caso os 5 mil membros do grupo de Barcelona.

Fonte: O Globo

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Consumo moderado de maconha não afeta o pulmão, diz estudo

Por Genevra Pittman

NOVA YORK, 11 Jan (Reuters) – O consumo moderado de maconha aparentemente não afeta negativamente os pulmões, segundo um novo estudo divulgado na terça-feira nos Estados Unidos.

Pesquisadores concluíram que várias avaliações pulmonares na verdade apresentavam resultados ligeiramente melhores entre jovens que relatavam usar mais maconha – pelo menos mais de 2.000 baseados ao longo da vida.

“Sem dúvida, se você viu um filme de Harold e Kumar, observou que a maconha desencadeia uma tosse”, disse Stefan Kertesz, da Universidade do Alabama, em Birmingham, que trabalhou no estudo. Mas ainda há dúvidas sobre os efeitos da droga sobre o funcionamento pulmonar em longo prazo.

“Estudos anteriores tiveram resultados ambíguos”, disse Kertész. “Alguns sugeriram um aumento no fluxo de ar nos pulmões e de volume pulmonar (com o consumo de maconha), e outros não encontraram isso. Outros encontraram sinais de dano.”

Embora o cigarro de maconha tenha muitas das toxinas presentes nos cigarros de tabaco, disse o cientista, as pessoas que usam maconha tendem a fumar menos baseados por dia em relação ao consumo de cigarro pelos tabagistas. Isso, junto com a forma de tragar, pode oferecer uma proteção relativa aos pulmões, propõem os pesquisadores.

Mas o trabalho não isenta a maconha quanto às consequências de longo prazo. “Acho que será preciso realizar muito mais trabalhos para fazer qualquer declaração abrangente sobre a segurança (do consumo de maconha)”, disse Jeanette Tetrault, que pesquisa abusos de substâncias na Escola de Medicina de Yale, em New Haven (Estado de Connecticut), e que não se envolveu na nova pesquisa.

Os novos dados derivam de um estudo prolongado com mais de 5.000 jovens adultos em Oakland (Califórnia), Chicago, Minneapolis e Birmingham (Alabama). De 1985 a 2006, os pesquisadores perguntaram regularmente aos participantes sobre o uso de tabaco e maconha no passado e no presente. Também fizeram exames para avaliar quanto ar eles conseguiam segurar e qual era o fluxo máximo de ar saindo dos pulmões.

Os pesquisadores mostraram que, quanto mais cigarros de tabaco os participantes fumavam, pior era o desempenho deles em ambos os testes, segundo o artigo publicado pela equipe de Kertész na revista Jama (publicação da Associação Médica Americana. Já o consumo moderado de maconha não parecia afetar a função pulmonar.

O volume pulmonar e o fluxo de ar aumentavam a cada “ano-baseado” – o equivalente a 365 cigarros ou cachimbos de maconha por ano – que os participantes diziam ter fumado, até cerca de 2.555 baseados.

As conclusões não significam que as pessoas devem fumar maconha para melhorar a função pulmonar, segundo os pesquisadores.

A maconha pode causar uma irritação pulmonar em curto prazo, e provocar problemas para pessoas que tenham asma, segundo os cientistas.

Fonte: Reuters

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Uso de maconha pode reduzir fatalidades no trânsito?

Foto: Dank Depot / Creative Commons

É o que sugere um novo estudo

Nos Estados Unidos, onde em muitos estados se permite o uso de maconha para fins medicinais, o que tem provocado grandes polêmicas, um novo estudo controverso deve jogar mais lenha no debate.

De acordo com seus autores, Mark Anderson e Daniel I. Rees, a aprovacão de leis de uso de maconha para fins médicos em 16 estados também ajudou a reduzir as mortes no trânsito. Será mesmo? Baseados reduzem a velocidade?

Os autores baseiam sua tese em estatísticas compiladas usando o Sistema de Análise de Relatórios de Fatalidades, ou FARS, um banco de dados da Administração Nacional de Tráfego em Estradas. Nos 16 estados, as fatalidades no trânsito tiveram queda de até 9%.

As estatísticas do FARS não provam que as leis de maconha medicinal são a causa da diminuição de mortes no trânsito (tais estatísticas podem apenas estabelecer uma correlação), mas até o momento nenhuma pesquisa tinha sido feita para explicar a relação. Anderson e Rees oferecem algumas teorias.

Primeiro, eles sugerem que a marijuana é um substituto para o consumo de álcool. Basicamente, se as leis da maconha medicinal criam uma elevação de seu consumo, então talvez as pessoas estejam mais fumando baseados que ingerindo álcool. Isto, por sua vez, levaria a menos bêbados ao volante, o que explica a queda de fatalidades. Os autores examinaram dados que associam as leis da maconha com diminuição de drinques consumidos, especialmente na população de 20 a 29 anos de idade. Além disso, dados da Beer Institute, dos fabricantes de cerveja, mostra que as vendas de cerveja tendem a cair quando as leis da maconha entram em vigor, informa a Mother Nature Network.

Esta primeira teoria também se baseia na suposição de que dirigir bêbado é mais perigoso que dirigir “chapado”. Para tanto, os autores apontam para provas de que motoristas chapados “reduzem a velocidade, evitam manobras arriscadas e aumentam a distância dos outros carros”, informações encontradas em outras pesquisas.

Uma segunda hipótese, puramente especulativa, é que como o uso de maconha medicinal ainda não é permitido em público, usuários tendem a ficar em casa para fumar, e por consequência sofrem menos acidentes.

Fonte: Planeta Sustentável 

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A revista “Cáñamo” examina 50 anos de Irracionalidade.

Revista Cáñamo, uma publicação dedicada à cultura da cannabis tem feito a suaúltima edição com uma edição especial intitulada “Proibição EXTRA: 50 anos de irracionalidade (1961-2011)”, que analisa os motivos, causas e conseqüências de uma proibição cada vez mais desafiados a nível mundial. Desde a sua criação,tem contribuído para a Política de Drogas debate Hemp todos os dados, argumentos e idéias que não têm lugar normalmente na imprensa tradicional.

Em 2011, 50 anos tenham cumprido a entrada em vigor da Convenção Únicasobre Entorpecentes, das Nações Unidas, sinalizando o início da guerra contra as drogas no mundo inteiro. Por esta razão, a revista convidou para colaborar comestudiosos análises de especialistas e conhecedores da política de drogas, entre outros, Antonio Escohotado, Juan Carlos usados, Moncho Alpuente, Mariano Antolin Rato e Jonathan Ott. O resultado é um compêndio indispensável dos diversos fatores políticos, morais, históricos, filosóficos, religiosos e econômicos que se reúnem nesta matéria.

Especialmente interessante é comparar dois extensos escritos de Antonio Escohotado, separados por 26 anos, que revela como exposto tudo relatado e, em seguida, mantém a sua força total: a proibição das drogas não só tem alcança do seus objetivos declarados, mas gerou danos muito mais do que destina a abordar: a corrupção, a violência, a insegurança adulteração, etc.

Hoje é reabrir o debate sobre as alternativas à proibição. Grandes figuras que teve responsabilidades políticas no ponto de tempo para a regulamentação da cannabis como um primeiro passo para acabar com essa experiência fracassada e contra producente, levando até 50 anos.

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Fonte: Revista: Transnational Instituto
Tradução: Soy Joh!

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STF proíbe criminalização da “Marcha da Maconha”

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

São Paulo – O Supremo Tribunal Federal (STF) reforçou na quarta-feira (23) o entendimento de que são legais os eventos que reúnem manifestantes favoráveis a discutir a descriminalização de drogas. Foi unânime a decisão de que a chamada Lei de Tóxicos não pode ser utilizada para proibir eventos deste tipo, como ocorreu seguidas vezes nos últimos anos.

Os ministros responderam a uma solicitação da Procuradoria Geral da República, que manifestou em ação direta de inconstitucionalidade a preocupação de que decisões judiciais contra os atos conhecidos como “Marcha da Maconha” estivessem tolhendo as liberdades de expressão e de reunião.

“Quem quer que seja pode se reunir para o que quer que seja, no plano dos direitos fundamentais, desde que o faça de forma pacífica”, concluiu o ministro Ayres Britto, relator da ação no STF. Ele pontuou que a única manifestação proibida pela Constituição é aquela que visa à violência e à violação dos direitos humanos.

Britto acrescentou que os direitos de manifestação, à informação e à liberdade de expressão integram um conjunto de matrizes constitucionais que dizem respeito à dignidade humana e à cidadania. “Vivemos hoje em uma sociedade de informação e de comunicação, em que o ser humano primeiro se informa para melhor se comunicar com seus semelhantes, e o direito de reunião pode ser visto como especial veículo dessa busca de informação para uma consciente tomada de posição comunicacional”, ressaltou o relator, seguido pelos demais ministros.

A decisão de quarta é uma reafirmação do entendimento firmado em junho, quando o STF definiu que não se poderia evocar o Código Penal para se negar o direito à livre manifestação. O ministro Gilmar Mendes, porém, indicou que a decisão vale para eventos públicos favoráveis à descriminalização da maconha, e que outras manifestações dependerão de decisões específicas. “É preciso ter cuidado e deixar claro, para que não se extraia da decisão a possibilidade de direito de característica ilimitada”, afirmou.

Fonte: Rede Brasil Atual

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Dossiê “Cannabusiness”: Hempcon Califórnia faz “show da maconha”

Stands da Feira.

O HempCon se apresenta como o “show da maconha medicinal” e acontece em várias cidades da Califórnia (EUA). O último ocorreu em San Jose, a segunda maior cidade do Estado (menor apenas que Los Angeles). San Jose está a menos de uma hora de carro de San Francisco, ao sul da Bay Area, região também conhecida como Vale do Silício, berço da nova economia mundial.

Fui até lá com uma amiga, a também jornalista Christianne González, que está morando naquela cidade e me ajudou na produção desta reportagem. O centro de convenções onde acontecia o Hempcon ficava ao lado de um grande hotel. Tudo normal. Mas a entrada do público não me permitia entrar com câmera, como se cada telefone celular não contivesse uma câmera. Procuramos então uma entrada lateral e nos apresentamos profissionalmente.

Deixamos a câmera maior ali e voltamos à bilheteria mostrar os ingressos devidamente pagos, que era o que mais importava para eles. Quando fomos recuperar a câmera maior, encontramos o mestre de cerimônia Crayz Alexander, 52, que cumpre essa função desde que o HempCon começou, dois anos atrás. Ele também é dono de um estúdio de tatuagem chamado Old School Tatto Parlor. Crayz conta que é filho de motociclista e usa maconha há 40 anos, desde que foi diagnosticado com DDA (Disordem de Déficit de Atenção).

O ingressou do HempCon custou US$ 20 (por dia) e o evento durou três dias, de 11 a 13 de novembro. Antes que me perguntem se o ingresso dava direito a experimentar a droga a resposta é não. Mas na verdade é sim, porque é possível achar estande oferecendo amostra grátis ou oferecendo teste de equipamento que transforma maconha em vapor. Esses testes são feitos do lado de fora do salão de convenções, num estacionamento aberto, já que dentro é proibido.

O evento está organizado em três partes: um congresso repleto de palestras; uma feira de produtos relacionados ou não ao cânhamo e à maconha; e uma feira de maconha apresentada nas mais diversas formas, desde mudas da planta até carne seca contendo os princípios ativos da erva.

No congresso, por três dias profissionais e especialistas mostraram ao público as novidades sobre como plantar, tratar, usar e clonar maconha. Entre os temas estavam a maconha hidropônica, como iniciar uma plantação ao ar livre, as diferenças entre plantações orgânicas e químicas, a clonagem, como preparar e tratar o solo, os insetos que podem atacar a plantação, a plantação sustentável e debates entre expoentes da “indústria” da maconha para discutir a situação dessa erva na Califórnia hoje.

Não notei no público grande interesse pelas palestras, já que as cadeiras estavam em grande maioria vazias, ao menos no primeiro dia.

O público estava mesmo interessado nos produtos. Não, a maconha não é liberada nos Estados Unidos. Mas a Califórnia, assim como diversos outros Estados do país, tem uma legislação que permite seu uso medicinal. E é assim que esse tipo de evento pode acontecer. Há especifidades nos limites legais definidas por cada município. A Justiça federal não aprova nada disso e está em ofensiva contra a maconha.

A primeira parte da feira, aberta também a não pacientes, tinha estandes com inúmeras variedades de cachimbos, piteiras e narguilés, de todos os materiais imagináveis, além de mil modelos de moedores para a erva.

Tinha também luzes especiais para criar a planta em ambientes internos; estande de rede social especializada em farmácias, serviços de entrega em casa, médicos e lugares para fumar maconha (www.SensiHunt.com); bancas de camisetas, bonés, cartazes; e banca de velas e cosméticos feitos com semente de cânhamo (a planta da maconha).

Tinha ainda objetos de decoração, peças de campanha pró-liberação da maconha e outros estandes sem nenhuma relação direta com a droga. Por exemplo: estandes políticos. Num deles, o professor aposentado Paul Gilbert, às vésperas de completar seus 80 anos, colhia muito seriamente assinaturas para uma campanha pelo fim da pena de morte nos EUA. Noutro estande se arrecadava dinheiro para uma organização especializada em tirar legalmente os “bad boys” da cadeia.

Maconha vaporizada

Mas a última moda, para evitar os males do fumo, parece ser consumir a maconha vaporizada. Funciona assim: o sujeito põe a erva num equipamento que aquece o produto a uma temperatura controlada, sem queimá-lo. Então basta inalar.

Quem explica é a executiva de negócios Amber Hobbs, 23, que trabalha para a rede Got Vape (www.gotvape.com), responsável pela distribuição de uma vasta gama de equipamentos do gênero.

Há desde vaporizadores portáteis, desses que cabem no bolso, até equipamentos maiores, alguns poucos que lembram hospital. Não vi nenhum no HempCon que custasse menos que US$ 90. O mais caro que encontrei custava pouco menos de US$ 800, um modelo digital da linha Volcano, em promoção.

Outro efeito benéfico dos vaporizadores, explica a vendedora, é que os usuários podem evitar que o ambiente em que usam a droga fique todo empesteado com a fumaça e o cheiro da maconha.

Mudas de maconha

Mas a parte mais excitante para o público da feira era a parte dos pacientes, ou seja, a parte em que só se pode entrar apresentando o documento legal que algum médico emitiu informando que a pessoa recebeu prescrição para usar maconha para fins medicinais. Entre os males para os quais a maconha é prescrita estão câncer, Aids, glaucoma, falta de apetite, dor nas costas, espasmos musculares, insônia e estresse.

E quem não tinha o documento mas queria entrar na parte dos pacientes? Bom, aí era só entrar numa fila pequena, ali mesmo dentro do centro de convenções. Alguns minutos de paciência, algum documento de identidade e mais US$ 80 bastavam para emitirem o documento na hora.

Eu já tinha tirado o documento médico para entrar nas farmácias e fazer esta série de reportagens (diagnóstico: insônia e estresse!), então entrei na parte fechada da feira. Minha amiga ficou fora. Lá dentro encontrei mudas de maconha por US$ 5. Achei a planta tão bonitinha vendida em torrão que quase comprei. Mas como não tenho documento de identidade emitido na Califórnia, não poderia.

Havia também à venda plantas um pouco mais crescidas, de várias espécies, entre elas Cat Piss e Jelly Bean. Nunca havia ouvido falar de nada disso no Brasil. Tudo bem, alguns leitores vão me chamar de “careta”, não me importo! Segundo o vendedor, em dois meses aquelas mudas estariam produzindo maconha da melhor qualidade.

Dou a volta no estande e encontro um rapaz, Zack Nugent, 28 anos, vendendo pirulitos e doces da empresa Green House Candy, da qual é sócio. O slogan da empresa é: “A maneira mais doce de se medicar”. Ele não se importou nem um pouco em ser fotografado e contou que esse trabalho não só paga as contas como provê uma excelente maneira de se medicar.

No fundo da feira encontrei ainda uma barraca de “jerk”, um tipo de carne seca muito popular nos EUA. A empresa Chronic Jerky (www.ChronicJerky.com) produz e industrializa essa carne seca com maconha, de modo a que as pessoas possam consumi-la em qualquer ocasião, inclusive na firma, sem chamar a atenção de ninguém.

Minha conclusão é que o jovem de Oakland, Jesus Hernandez, tem toda razão em ver a maconha como um grande negócio. O HempCon não se parece em nada com um congresso acadêmico. É uma feira como outra qualquer, destinada ao público em geral. Ainda que não tenha números para provar, aposto que a maioria das pessoas ali faz apenas uso recreativo da droga, como em qualquer lugar, como no Brasil, como em tantos outros países do mundo.

A única diferença é que em muitas cidades da Califórnia é atualmente possível ser maconheiro (ou maconhista, como diz um colega do UOL) sem ficar na mão de traficante. Basta plantar no quintal ou comprar na lojinha.

Mais fotos aperte aqui.

Fonte: Uol

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